Epilepsia na Mulher

1) Os medicamentos antiepiléticos podem ter efeitos colaterais nas mulheres?
Sim, os medicamentos para tratar da epilepsia podem apresentar efeitos colaterais nas mulheres. Dentre os efeitos colaterais mais comuns estão:

  • Aumento de pêlos;
  • Ganho de peso;
  • Queda de cabelo.

A possibilidade de efeitos colaterais é mais um motivo para manter acompanhamento regular com o médico. Na presença de efeitos colaterais, NÃO pare com a medicação. Consulte o médico sobre outras possibilidades de tratamento.

2) A pílula pode interagir com a medicação antiepiléptica?
Sim. As medicações antiepilépticas podem interagir com as pílulas anticoncepcionais.

3) Como acontece essa interação?
As medicações antiepilépticas podem reduzir a eficácia das pílulas anticoncepcionais.

4) Quais os efeitos para a mulher?
Caso a mulher tome medicação antiepiléptica sem avisar o médico sobre o uso da pílula anticoncepcional, uma gravidez não planejada poderá ocorrer.

5) Quais os efeitos para a eficácia do tratamento contra epilepsia?

6) Como a mulher deve proceder?
A mulher que faz uso de pílulas anticoncepcionais deve informar o médico. Assim, o médico poderá escolher a pílula anticoncepcional mais adequada para ser tomada pela mulher durante o tratamento de epilepsia ou indicar métodos anticoncepcionais alternativos.

7) Durante a gravidez, o tratamento de epilepsia deve ser interrompido?
Não. Em nenhum momento o tratamento de epilepsia deve ser interrompido.

8) Que cuidados uma mulher com epilepsia deve ter durante a gravidez?
Em primeiro lugar, o médico deve ser informado da gravidez. Alguns medicamentos antiepilépticos podem causar má-formação no feto. Por isso, o médico deve ser informado da gravidez o mais rápido possível para alterar a medicação antiepiléptica, caso necessário.

9) Há algum medicamento antiepiléptico proibido durante a gestação?
Sim. Medicamentos com valproato de sódio devem ser retirados.Isso porque o uso de valproato de sódio, durante a gestação, pode causar má-formação do bebê.

10) Se a mulher tomar medicamentos com valproato de sódio durante a gravidez, quais os riscos de má-formação do bebê?
Há vários riscos, tanto na aparência física quanto no funcionamento do corpo. Dentre os riscos mais comuns de aparência física, tem-se:

  • Lábio leporino;
  • Má formação dos órgãos sexuais externos
  • Mais graves do que os riscos de má-formação física são os riscos para o funcionamento do corpo do bebê:
  • Atraso no desenvolvimento da criança;
  • Dano na capacidade de aprendizagem.

O valproato de sódio deve ser evitado, principalmente, nos 3 primeiros meses de gestação. Ao menos, a dose deve ser reduzida.

11) Existe algum remédio que ajude a diminuir o risco de má-formação do bebê na gravidez de mulheres com epilepsia?
Sim. O uso oral de ácido fólico ajuda a reduzir o risco de má-formação.

12) Como o ácido fólico deve ser tomado?
O ideal é que o ácido fólico comece a ser tomado 3 meses antes da gravidez, no caso de gravidez planejada. A dose deve ser decidida pelo médico. No caso de gravidez não planejada.

13) O ácido fólico pode ser tomado durante a gravidez?

14) Existe algum remédio que ajude a mulher com epilepsia na hora do parto?
É recomendável usar Vitamina K uma semana antes do parto, para corrigir eventuais distúrbios da coagulação, particularmente em pacientes que fazem uso de ácido valpróico.

15) A gestação aumenta a frequência de crises epilépticas?
Não há evidência de que a gestação altere a frequência das crises ou o desencadeamento de epilepsia. Em mulheres livres de convulsões até um ano antes da gestação, a probabilidade de permanecer livre de convulsões na gravidez varia de 84% a 92%.

16) Gestantes com epilepsia devem fazer pré-natal?
Sim. Todas as pacientes devem estar no programa de acompanhamento pré-natal e de assistência a parto no ambiente hospitalar.

17) Mulher que toma medicamento antiepiléptico pode amamentar?
Sim. A amamentação deve ser encorajada. No entanto, é preciso atenção no caso de surgirem crises mais frequentes por causa de privação de sono. Se o número de crises aumentar por causa de privação de sono, alternativas à amamentação devem ser buscadas. Uma boa alternativa é estocar o leite e pedir para o esposo ou outra pessoa alimentar o bebê enquanto a mulher descansa.

18) Existe algum risco para o bebê na amamentação?
As medicações antiepilépticas passam para o leite materno em porcentagem variada. É importante lembrar que o contato com essa medicação antiepiléptica já estava presente durante a gestação. Por isso, a amamentação previne que o bebê tenha síndrome de abstinência dessas drogas.

19) O bebê 'pega' epilepsia ao amamentar?
Não.

20) Como deve ser o planejamento familiar de uma mulher com epilepsia?
O ideal é que a mulher com epilepsia planeje a gestação, para que possa tomar, desde o começo, todas as precauções para ter uma gravidez tranquila e sem riscos para o bebê. Acompanhamento médico é fundamental. Lembrando que em nenhum momento a medicação antiepilética deve ser interrompida.

BIBLIOGRAFIA
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